01/08/23

REFLEXÕES INTEMPESTIVAS - O passado deixa de ser fardo

 REFLEXÕES INTEMPESTIVAS 

O passado deixa de ser fardo

È necessário retirar a carga emocional de um passado visível para que ele não seja uma canga pesada que carregamos com a história. È nesse esgotamento de todas as emoções a um facto ligado, que se consegue arrumar o passado sem que ele de forma reativa influencia um presente e um passado. É a libertação, o fenómeno final mental de um momento que se alcança através dessa cognição final.

  Devemos encarar o passado na perspectiva de nos libertarmos dele, através de uma constante audição aos factos, para a remoção de todo o seu conteúdo que represente o estorvo do presente e a irracionalidade do futuro.

  O passado é algo que não podemos negar, a forma como o conhecemos é que por vezes pode vir deturpada e ser assim transmitida. Isto, porque o ato hostil sempre está oculto e os seus motivadores assumem-se como alicerces justificadores de uma mentira transformada em verdade aparente.

  Nietzsche disse-nos que o peso do passado destrói a nossa imersão sobre o instante e que o esquecimento é uma faculdade para o acesso à felicidade. Porém, esquecer é impossível, pois a carga emocional não se desintegra nem desaparece dum incidente por nenhuma faculdade humana, física ou espiritual que não passe pelo verdadeiro confronto e real entendimento desse momento. 

  O verdadeiro heroísmo é praticado pelo homem que confronta olhar o seu passado e se liberta dele com o fim de perpetuar a sua eternidade como ser. E é essa dimensão que faz a diferença entre os seres humanos e os suínos de Nietzche. Qual é o homem que se quer reduzir à dimensão a-histórica de um presente absoluto ? Dará a irracionalidade felicidade ? Será a solução da História a redução da dimensão mental do homem ?

  Se existe algum grau de insónia, de ruminação ou de sentido histórico, significa que uma restimulação deve ser manejada através do apuramento dos factos que provocam indesejados comportamentos ou atitudes de um indivíduo ou de uma nação. Porém, é essencial que o homem denuncie a si mesmo o momento de restimulação histórica, que o confronte com coragem e que se  disponha arduamente a libertar as unidades de atenção que o prende em  tempo presente.

  Esse mesmo grau de insónia que leva ao sofrimento, a danos e á ruína, representam nada mais que um conjunto de restimulações em tempo presente sobre um passado preenchido de dados falso, onde a história se construiu com base na hostilidade, na supressão e os seus justificadores foram considerados validos para a sua justificação ou obtenção de fins. Porém essa restimulação, a dita insónia, perdurará até que o homem corajoso a confronte e se liberte dela do seu passado. A partir desse momento ele poderá viver com ele sem que este o incomode, tornando-se agora numa mais valia, num dado da experiência, que o enriquece como ser humano e espiritual. O passado deixa de ser fardo.

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