10/10/23

Napoleão e a Batalha pelo Atlântico

 Introdução

  Na realização de certos instintos fundamentais do homem, a agressividade, a «vontade de domínio», a ambição, o apetite de coesão, sobretudo o desejo da exaltação coletiva, e na libertação de ódios, de medos e de ressentimentos; ou como «lei económica», quer para quebrar o círculo da miséria, quer para expandir a abundância, pelo imperialismo; ou para graças à revolução, operar a libertação dos povos oprimidos;  ou como «lei ideológica» da própria difusão; ou como vontade política, que na impossibilidade de se impor de outro modo, se afirma pela violência.

  Contudo, a variedade de definições da palavra «guerra» não se esgotam aqui, pois a sua grande diversidade depende da perspectiva em que se coloca o investigador, da própria amplitude do acontecimento e da escolha de determinado fator explicativo. Não é nossa intenção fazer aqui uma dissertação sobre os diversos conteúdos que a palavra «guerra» pode obter, mas sim tentar apurar algumas particularidades que levaram no inicio do séc. XIX, a França Napoleónica a impor uma «nova regra» sobre a Europa, e a importância que os acontecimentos na Península Ibérica tiveram para o desfecho do «Sistema Continental».

A rivalidade franco inglesa

  O conflito fundamental das guerras napoleónicas foi fruto duma existente rivalidade entra a França e a Inglaterra.

  Do lado britânico o conflito era tido do ponto de vista económico. No propósito de obter o predomínio dos comércios coloniais e estrangeiros, a Inglaterra, através do seu poderio naval, conseguindo o controle dos mares, tentava eliminar o seu principal rival, a França.

  Na Europa o seu objetivo não incluía ambições territoriais, exceto o controle de certos pontos marítimos vitais [1].  Contudo, esta posição inglesa e a sua tendência para tratar a navegação neutra, era vista com alguma suspeita e hostilidade por entre  outros estados mercantis, o que permitiu alguns aliados aos franceses [2]. A forma como os ingleses consideravam a navegação neutra, uma força que ajudava a França, levou à ocorrência de conflitos [3].

  Nesta rivalidade, contrapunham-se uma classe média abastada de mercadores e industriais ingleses e uma classe média emergente da revolução francesa, cujos apetites eram ambos  ilimitados [4].

 Para os franceses o único inimigo sério era efetivamente a Inglaterra, ilha de mercadores e marinheiros, com grande riqueza e senhora absoluta dos mares. A vitória sobre os Ingleses exigia o aniquilamento do seu comercio, do qual dependiam e ainda assegurar as formas que lhes impossibilitassem uma recuperação. Ou seja, uma destruição definitiva.

  A magnitude do conflito e a impossibilidade de fazer vingar qualquer acordo mutuo, significava que nenhum dos estados estava preparado para aceitar nada mais que uma vitória total  [5]. 

   Depois de ocupada a Itália, submetida a Áustria, vencida a Prússia e combinada a partilha do mundo com o aliado russo, faltava aniquilar a Inglaterra, absorver a decrépita Espanha e o inconveniente Portugal [6].

  A partir de 1807 as principais medidas que Napoleão tomou  para a reorganização e expansão do Império, tinham como objetivo destruir a Inglaterra. Mesmo que não diretamente, todos os seus esforços iam na direção de enfraquecer ao máximo o seu poderio.

  Essa medidas, de uma forma geral efetivas, foram em primeiro lugar a entrada da Rússia e da Dinamarca para uma coligação anti-inglesa e depois da Áustria e da Prússia. Ao mesmo tempo efetuava-se uma serie de anexações e ocupações, na península itálica e parte do Reino da Holanda, de forma a destruir o comercio inglês.

O Bloqueio Continental

   Napoleão supunha que o controle militar de toda a Europa,  com o encerramento dos portos, privando os ingleses dos seus intermediários comerciais, levaria definitivamente a uma capitulação do seu rival.

 Numa época em que os países eram autossuficientes em termos de viveres, os bloqueios marítimos serviam, não para reduzir o outro à fome, mas para arruinar financeiramente o adversário através da inibição do seu comercio [7]. Muitas as vezes os bloqueios eram mútuos.  Era a continuação das «guerras de mercadores» colbertianas.

   O Bloqueio Continental foi decretado por Napoleão em 21 de Novembro de 1806, proibindo o comércio com a Inglaterra [8]. Em 17 de Dezembro do mesmo ano foram alargadas as suas decisões. Desta forma, era considerado «boa presa», qualquer barco que tivesse tocado em porto inglês, pago imposto ao tesouro britânico e recebido visita de um dos seus barcos [9].

  Como facilmente se pode entender, o objetivo de Napoleão era fechar o continente europeu ao comercio britânico, nomeadamente às suas industrias. Não esqueçamos que a prosperidade inglesa assentava na sua indústria realizada em excelentes condições técnicas e distribuída por um aparelho comercial extremamente eficiente.

  Enfraquecendo assim o coração da sua prosperidade, através duma redução drástica no escoamento dos seus produtos, rapidamente lançaria esse pais na desorganização e consequentemente numa grave crise [10]. Os inerentes problemas socioeconômicos forçariam a Inglaterra a uma paz e à submissão diante a França Imperial [11].

 Ganho o controle do mar pelos ingleses em Trafalgar [12] e o da terra por Napoleão em  Austerlitz e Jena, avançou o Imperador com o bloqueio continental, impedindo assim a entrada de bens produzidos e controlados pelos ingleses nas terras por ele submetidas.

  Ora á imposição de um bloqueio impôs-se outro, agora por parte da Inglaterra. Só que, se o bloqueio pretendido por Napoleão era marítimo, teria que ser imposto por mar e não pelo controle da terra. O que,  sem esquadra era impossível. Bloqueio efetivo, esse sim, foi o inglês, através da sua esquadra. Mas esse bloqueio não era para destruir o comercio francês, mas apenas para o controlar [13].

  Se os portos continentais do norte da Europa, nomeadamente do Báltico se consideravam mais facilmente encerráveis  à frota inglesa, os portos portugueses, não permitiam que os objetivos do bloqueio se efetivassem.

 Esta situação veio a impor à Europa continental grandes dificuldades em função da falta de mercadorias inglesas, tais como, roupa, metais, algodão, açudar e café. Mas rapidamente os povos da Europa continental aperceberam-se que os benefícios políticos conseguidos não pagavam o preço da quebra comercial [14]. Esta opção de Napoleão oprimia e corrompia uma economia inadequadamente controlada [15].

 O Tratado de Fontainebleu em Outubro de 1807 e os dois decretos de Milão em Novembro e Dezembro, alargaram o «Bloqueio Continental»  de forma a impedir a circulação de qualquer barco ou mercadoria com interesses diretos britânicos nomeadamente na costa portuguesa . Estes éditos, que se destinavam supostamente a proteger a economia continental acabaram por ostensivamente a destruir ainda mais, na tentativa de arruinar a Inglaterra [16].

  Contudo, os ingleses num grande esforço levado a cabo através de diversas atitudes como: contrabando, subornos, desenvolvimento de novos mercados, substituição dos portos do Báltico fechados e impedindo a constituição de uma força naval francesa, conseguiram impor-se ao Bloqueio  Continental [17].

   Mas a guerra entre a Rússia e a Suécia, no inicio de 1808 e as campanhas lançadas em 1807 para a destruição de Espanha e Portugal, em províncias francesas, era ostensivamente preparada para reduzir cada vez mais o poder político e económico da Inglaterra [18]. Tratava-se agora de um plano alargado do Imperador, a todo o continente, de forma a enfraquecer o seu rival.

A importância estratégica de Portugal

  Após a derrota e submissão da Europa Continental escapava a Napoleão o domínio sobre o oceano Atlântico, isto é o controle sobre Portugal e sua fonte de prosperidade, riqueza e segurança que, chegavam através do seu comercio colonial e se movimentavam nos seus portos de norte a sul [19].

  Do ponto de vista estratégico Portugal permitiria ainda a Napoleão, juntamente com a Espanha, encetar acções militares de grande envergadura no América do Sul. Contudo, esse apoio das zonas de influência portuguesa no Atlântico, pouco serviriam sem um poderoso potencial marítimo da Espanha e da França. Pelo menos, que fosse superior ao da Inglaterra, e não parecia que o pudesse ombrear.

  Portanto, uma tentativa de ocupação do território português por Napoleão teria também como objectivo coagir o governo do príncipe regente a colocar-se a seu lado.  Então, poderia levar a guerra à América do sul, dispersar a frota inglesa para poder assaltar a Inglaterra e definitivamente submete-la ao seu poderio [20].

   O porto de Lisboa, ponto de referência no trânsito da navegação que atravessava o Atlântico, constituía para os ingleses, um importante ponto estratégico, na sua luta de conservação pelo poderio naval. Afinal, aquilo com que sonhava Napoleão, ao mesmo tempo, e que lhe poderia dar a vantagem decisiva.

  Quando da primeira invasão francesa, Junot trazia na bagagem instruções secretas de Napoleão para entrar em Lisboa, apoderar-se dos barcos e ocupar os estaleiros. Estas intenções demostram bem o quanto era conhecida, a importância do trafego marítimo inglês, pelo governo francês [21].

  Assim, podemos dizer que tanto França como Inglaterra não podiam dispensar o apoio das costas e das ilhas portuguesas para sustentar essa guerra. Por isso, ambos vieram à península, considerando Portugal a chave da pretensa hegemonia. Essa importância foi de tal forma grande que levou no caso dos franceses a terem de sacrificar a sua mais segura via de abastecimentos coloniais.

A importância económica de Portugal

  O que ganharia a França em termos comerciais com a ocupação territorial portuguesa e com o controle da navegação no porto de Lisboa? Efetivamente de 1804 a 1807, Portugal exportava para a França grande percentagem de produtos ultramarinos em especial brasileiros,  (madeiras, couros, açúcar, tabaco, panos da Índia, lãs e algodão) [22]. As nossa importações largamente inferiores à exportação, compunham-se de trigo, móveis, tecidos, joias e objetos de ouro [23].

  Dos produtos ultramarinos portugueses o algodão era aquele que ocupava o primeiro lugar tanto no comércio inglês como no francês [24]. A importância do algodão veio ainda a aumentar com o encerramento dos portos Norte-americanos aos ingleses, seus principais fornecedores, e durante as invasões quando os franceses, tiveram que recorrer ao contrabando via Cádiz, desta preciosa matéria-prima [25].

  Desta forma, a invasão militar de Portugal, trazia desvantagens para França em função dos grandes abastecimentos de produtos coloniais que recebia.

  Seria evidente que, um trafego com a magnitude que tinha o porto de Lisboa não desapareceria perante o aparato do encerramento continental, mas sim, iria deslocar-se para outros portos menos vigiados ou livres. O porto de Lisboa não era o único disponível.

  Assim, a França ou desistia do «bloqueio» e não prejudicava a sua importação de produtos, ou impunha o encerramento dos portos portugueses. Mas, para conseguir levar a efeito o bloqueio à Inglaterra não lhe restava opção que fosse a ocupação militar do território português, com todas as consequências económicas que daí adviessem [26].

  «Napoleão, na sua estratégia, ao ter que entregar às armas a solução da resistência portuguesa ao Bloqueio Continental, teve que anular uma fonte essencial para os seus abastecimentos em matérias-primas» [27].

  Os fatores geográficos e comerciais, atribuíam a Portugal um grande valor e significado para a guerra militar e económica. 

A política de moderação francesa (1800-1805)

  A convenção assinada em Madrid, por Lucien Bonaparte, em 29 Janeiro de 1801, reflete já características de um ultimato em relação a Portugal [28]. Desta forma, era dado ao governo português um prazo de quinze dias para romper as relações diplomáticas com Inglaterra, fechar os seus portos à frota britânica e permitir a ocupação de um quarto do território. Caso contrário a Espanha declararia a guerra, contando com uma força francesa de 15.000 homens[29].

Esta atitude de sequestro, tinha como intenção fazer de Portugal um refém, que apenas seria libertado, quando a Inglaterra restituísse, Trindade, Minorca e Malta. Desta forma, ficava claro que atacar Portugal era atacar a Inglaterra.

  A pretensão de fechar os portos tinha como um dos seus objetivos dificultar a comunicação entre a Inglaterra e o Mediterrâneo. Gibraltar não era suficiente para manter dessa comunicação, sendo o abastecimento nas costas portuguesas indispensável. Não esqueçamos que a aliança com Portugal permitia a utilização das instalações em Lisboa. Desta forma, Portugal representava uma base para Inglaterra, cuja importância aumentava mais com a hostilidade da Espanha.

  Esta operacionalidade decisiva no movimento dos navios ingleses era a pedra chave para esta chantagem diplomática, na tentativa de levar o governo britânico a ceder [30].

  À parte da pressão que se pretendia exercer sobre a Inglaterra, Portugal, como já vimos, apresentava interesses económicos para a França. Havia ainda a intenção de tentar suplantar, pelo menos parcialmente a influencia económica  inglesa. Essa intenção, manifestava-se através do tratado de paz estabelecido em 1801, onde uma clausula reservava aos produtos franceses, nomeadamente aos tecidos, atribuía as mesmas condições consentidas a Inglaterra.

 A atividade económica com França tornou-se a partir desse momento mais notada. Esta tentativa de igualar as vantagens inglesas mostra a rivalidade franco inglesa, na propósito de impor um imperialismo económico [31].

  O Tratado de Badajoz em consequência da «guerra das laranjas», onde a Inglaterra foi incapaz de amparar Portugal, levou à cedência de uma parte do território junto ao Guadiana, Olivença, o encerramento dos portos aos ingleses que dava à França vantagens idênticas às britânicas no comercio dos tecidos, e ainda uma indemnização de guerra. À excepção da perda de Olivença, este tratado tinha evitado a ocupação de um quarto do território, objetivo que franceses e espanhóis tinha previsto antes em Madrid [32].

  Contudo a ratificação do Tratado de Madrid não agradou a Napoleão que exigia a reabertura da guerra. Porém, a promessa de um contrato de comércio, o aumento da indemnização e os argumentos de Talleyrand acabaram por contentar o primeiro cônsul. Com esta ratificação do Tratado de Madrid, as relações franco portuguesas passavam para um novo plano [33].

  De Março de 1802 a Maio de 1803, Portugal podia respirar, pois a paz com Inglaterra tinha sido assinada. Contudo, o reinicio da guerra voltava a colocar Portugal numa situação muito difícil.

  A política de moderação francesa encontrará seguramente muitas razões pela intensidade e necessidade das relações económicas com Portugal. Esta moderação é o resultado do governo francês não ter ultrapassado em certos limites a pressão sobre o de Lisboa [34]. Pelo menos preocupa-se em não procurar a ruptura. Isto, porem não significa que a pressão deixasse de existir. Temos portanto, um período em que a corte lisboeta está em constante pressão pela luta de influências entre a França e a Inglaterra. 

  O maior êxito da política francesa neste período até 1805, foi ter conseguido uma indemnização de guerra. Esta constituiu para Portugal o preço a pagar por uma neutralidade tolerada [35].

  No entanto, o primeiro passo na tentativa da neutralidade foi dado pela Espanha através de um tratado em 19 de Outubro de 1803. Comprometeu-se ainda a conseguir um tratado idêntico para Portugal, o que aconteceu em Lannes em 19 de Dezembro do mesmo ano. Contudo dificuldades na ratificação pelo lado francês levou a que só se torna-se definitivo em 19 de Março de 1804 [36]. Era sem dúvida a aproximação de Portugal à França.

  Contudo, em 1803-1804, o que interessava a Napoleão era a entrada da Espanha na guerra. Por esta razão a questão portuguesa deixava de ter grande amplitude enquanto a Espanha se mantivesse neutra. Esta situação irá se alterar a partir de 14 de Dezembro de 1804.

  O que podemos concluir para a primeira política francesa (1800-1805) em relação a Portugal é  de que constituíamos uma fonte preciosa para os produtos coloniais que tanta falta faziam a França. Vemos assim, acontecer uma subida global do comercio franco português, dando um salto notável entre 1805 e 1807, ao mesmo tempo que se mantinha estável o comercio anglo português [37]. 

  A neutralidade portuguesa, ainda que não totalmente respeitada pelos ingleses, fez aumentar o comercio franco português, acabando-se por tornar vantajosa para a França. 

A política de conquista francesa (1805-1811) 

  A partir de 1805 tudo se modificou. Napoleão aderiu ao plano de Godoy em conquistar Portugal que conduziria à intervenção militar de 1807. Assim, a segunda política francesa tinha como objectivo a conquista do pais.

  As ambições de Godoy e a sua aproximação a Napoleão, permitia-lhe  reabilitar uma antigo sonho de ser rei em Portugal. Contava-se ao mesmo tempo que França e Espanha preparavam um ajustamento territorial.

  A declaração de guerra da Espanha à Inglaterra, por questões de honra nacional, em virtude do episódio das fragatas capturadas, permitiu a Godoy sonhar de novo. O facto do imperador necessitar da marinha espanhola criou as circunstâncias favoráveis às ideia de Godoy. O negócio ficou decidido quando da passagem de Junot por Madrid em direcção a Lisboa. Neste acordo a França dava apoio à Espanha numa guerra contra Portugal e em contrapartida a Espanha colocava os seus barcos à disposição de Napoleão [38].

  Após a derrota marítima em Trafalgar, Napoleão comprometeu os seus planos marítimos. Desta forma, as bases do acordo franco espanhol estavam destruídas. Mas o projeto da conquista e divisão de Portugal reapareceu em 1806, quando Napoleão se irritou com as inúmeras violações da neutralidade portuguesa, levada a cabo pelos ingleses e retomou seriamente as negociações com Espanha. Contudo, Talleyrand, sempre inclinado para Portugal, levou ao adiamento deste projeto, pois no momento em que se iniciavam conversações para uma paz geral, não fazia sentido levar por diante esse empreendimento [39].

  A campanha contra Portugal, surgiu de novo após a vitória de Napoleão em Tilsit, Agora que o continente quase estava submetido, Napoleão podia colocar mais a sua atenção em Portugal.

  Em Janeiro de 1807, em carta enviada a Godoy, reafirmava a sua decisão de apoio a Espanha, mas desta vez realçando motivações económicas: «Afastar os Ingleses do continente, atingir ai o seu comércio, é atacar as bases do seu poderio.» [40] O sequestro a Portugal era inevitável. Só a intenção de levar ás ultimas consequências a guerra económica contra a Inglaterra poderia resultar no seu enfraquecimento.

  Napoleão já desde o consulado espreitava Portugal. Sobretudo, quando percebeu que os ingleses utilizavam o nosso território como se de uma colónia britânica tratasse [41].

  O ministro português Araújo de Azevedo, procurou impedir Napoleão de levar até ao fim as sua ameaças. Razões por mais evidentes eram o deslocamento do comercio Inglês para o Brasil, perante um cenário de ocupação de Portugal e o receio espanhol sobre a sorte das suas colónias. Mas a questão não ficava por aqui. O afastamento do comercio acarretaria do ponto de vista económico francês sérias desvantagens, pois, esgotaria a entrada dos preciosos produtos coloniais que a França tanto carecia.

  Assim, podemos concluir que a neutralidade portuguesa seria em alguns aspectos bem mais vantajosa do que a sua ocupação.

  Qual a lógica que levava Napoleão, a querer integrar Portugal no sistema continental (que não é puramente económico)? Como motivos conservam o seu valor: a ideia de fazer Portugal num refém que poderia utilizar em qualquer negociação; retirar as bases inglesas que facilitavam o abastecimento e conservação da sua frota; a atracção pelas riquezas portuguesas; e ainda a captura da frota portuguesa.

  Desta forma, «O económico, o estratégico e o político confundem-se nas origens da decisão de Napoleão.» [42]

  Em Julho de 1807 é enviado o ultimato ao príncipe regente. Em 5 de Novembro de 1807, o governo português, após negociações e recuos resigna-se a uma capitulação completa (fecho dos portos, prisão dos ingleses e sequestro dos seus haveres). Ao mesmo tempo Junot e as suas tropas aproximavam-se da fronteira, pois Napoleão teria exigido uma ocupação do pais.

   Junot chegou a Lisboa com a missão de impor o bloqueio continental, principal porto marítimo do reino. Contudo, quanto à efetivação das suas medidas, Napoleão manifestou um certo descontentamento, pois o seu Marechal tolerou muito contrabando feito por barcos neutrais. Face a uma marinha inexistente, a obrigação de utilizar as vias de transporte terrestre  terão limitado as vantagens da ocupação.

O Tratado de Fontainebleu

  Napoleão tinha a conquista de Portugal em mente, mas esse não era o seu único objetivo, como o demostrou o secreto Tratado de Fontainebleu assinado com a Espanha em 27 de Outubro de 1807.

  Este tratado eram nas suas linhas gerais, típico dos esquemas de partilhas utilizados no século XVIII, em que duas nações se envolviam para conquistar e dividir um território [43].

  Desta forma, França e Espanha dividiriam o território conquistado em três partes. A zona a norte (Lusitânia Setentrional) seria entregue ao rei da Etrúria, cujos territórios em Itália tinham sido anexados a França, o centro (Lusitânia Central) ficaria reservado e disponível para futuras negociações de Napoleão e o sul (Principado dos Algarves) entregue a Godoy [44].

  Contudo, este tratado de partilha era um máscara para tapar as verdadeiras intenções de Napoleão, cujos objetivos eram a introdução em Espanha de tropas francesas por Junot que permitiriam a ocupação de zonas estratégicas. Assim, Napoleão pretendia anexar a zona norte de Espanha até ao Ebro, bem como a anexação de Portugal [45].

  A 30 de Novembro o Marechal Junot entrou em Lisboa, falhando a captura da família real. Napoleão tinha-lhe dado instruções para desarmar o país, defender os principais pontos, e tratar o território com o estatuto de conquistado.

  A entrada de tropas francesas em direção a Portugal pelo nordeste de Espanha podia-se explicar ao abrigo do tratado, mas não a ocupação em simultâneo da Catalunha e do noroeste espanhol.  A recusa de Napoleão em publicar o tratado da partilha, o anúncio publico de que Godoy iria ser o governador do Algarve e a ocupação do pais Basco, criaram indignação e resistência popular em Espanha.

  Napoleão procurando contrariar esta resistência, decidiu incorporar a Espanha no seu Império e reorganizar o seu exercito.

  Faltava apenas decidir a questão do trono. Numa serie de intrigas e armadilhas políticas consegue obrigar tanto Carlos IV como seu filho Fernando a abdicarem dos seus direitos à coroa espanhola, apressando-se a oferece-la a seu irmão José. 

 Esta atitude do Imperador estava correlacionada afinal com outras suas ações desenvolvidas no âmbito do  bloqueio continental: a guerra naval, a ambição colonial, a guerra contra os Bourbons, o seu programa para a Rússia, Itália, Alemanha e Europa de Leste [46].

  Mas pensaria o Imperador francês que a Espanha lhe cairia a seus pés com a tomada de Madrid ? Napoleão entregou-se à aventura espanhola, como a muitas outras, por diversas razões: anti-britânicas,  familiares e dinásticas, económicas, militares, e pessoais. 

  A resposta à usurpação do trono espanhol, foi uma insurreição geral que levou a batalhas regulares entre os exércitos dos dois países [47]. Os primeiros anos de insurreição foram difíceis de suportar por parte dos espanhóis com muitas derrotas e a ocupação do território pelos generais franceses.

  Estes acontecimentos levaram a que a Inglaterra se interessa-se numa campanha militar na península ibérica [48], agora a suporta-la o ódio aos franceses pelos espanhóis e portugueses e a possibilidade de constituir em Portugal uma base de operações para toda a península [49].

  A grande questão por parte dos aliados era em como conciliar uma resistência anti-napoleônica, ligando os interesses britânicos, da Regência portuguesa e da Junta espanhola. Não era tarefa fácil. Se por um lado Portugal era o aliado tradicional inglês, solicitando apoio contra a França e Espanha, esta conhecia o aliado dos portugueses como um rival de morte dos impérios marítimos [50]. 

  A vitória da coligação anglo-portuguesa-espanhola, juntamente com fatores políticos, militares e de comando, foi em grande parte devido à arma da diplomacia [51].

   França teoricamente teria algumas hipóteses de ter sucesso em Espanha, mas não pelas mãos de Napoleão. Aos seus erros políticos juntou as estratégias militares defeituosas, escondendo dos seus generais a realidade da guerrilha que tantas baixas causou, a subestimação das forças inglesas de Wellington, que levou os seus comandantes a ofensivas insensatas [52].

  Em resumo, das hipótese que a França tinha em Espanha e mesmo em Portugal, Napoleão arruinou-as todas.

  Se Napoleão tivesse recusado querer obter um controle direto e manter o indireto que já tinha sobre Espanha, provavelmente teria obtidos outras vantagens. Mas, se essa falta de sentido no limite das coisas e das ideias de controle a tivesse podido parar, também não teria sido Napoleão [53].

A posição portuguesa perante o bloqueio

  A realidade, do trafego ultramarino, condicionava a atitude de Portugal ao nível da política internacional.

  Punham-se as questões: ou Portugal assumia a neutralidade (factos que os franceses aceitaram nos primeiros anos da luta continental), ou a guerra ao lado da Inglaterra, que dominava os mares ? È evidente que o primeiro teria sido sempre o escolhido. Contudo, a evolução dos acontecimentos rapidamente o tornou impossível, e Portugal em virtude dos planos napoleônicos, de invasão de Inglaterra, guerra no mar e bloqueio Continental, só poderia seguir o segundo caminho [54].

  Em 1805, a vitória marítima dos ingleses em Trafalgar, tranquilizou Portugal, pois os mares continuavam abertos para a sua navegação que se dirigia para a América do Sul e Inglaterra.  Os portos continentais e ilhas continuaram a receber barcos ingleses, no apoio ao trafego marítimo, pois dificilmente os interesses nacionais se poderiam separar dos ingleses, por intermédio do decreto francês. 

  Portugal procurou sempre lutar em defesa da sua integridade económica. Apesar das pressões e intimidações francesas, para que se interrompessem as relações comerciais com a Inglaterra, estas continuaram com a mesma intensidade sofrendo apenas, e não total, uma interrupção de meses [55].

  Em relação a Portugal, a organização comercial inglesa manteve as suas ligações sociais, tanto no período mais incerto da primeira invasão como nas seguintes.

  A colaboração inglesa não era imposta, mas sim procurada pelo governo português, que fornecia todas as condições necessárias, nomeadamente ao nível do suporte logístico [56].

  O governo português sempre apresentou indiferença pelas ameaças francesas, no que respeitava ao movimento do seu trafego marítimo, mesmo quando a França estava no auge da sua força militar [57].

  As tentativas de agradar a Napoleão sem quebrar definitivamente os laços comerciais com Inglaterra levaram a que a declaração de guerra se atrasa-se ainda mais. Quando os portugueses se dispuseram a uma total submissão ao ultimato francês já era tarde de mais, pois a invasão militar já estava às portas de Portugal.

  Foram os sólidos interesses nacionais no trafego comercial com Inglaterra, já existentes desde os finais do século XVII e inicio da centúria seguinte, que levaram Portugal a colocar-se do lado britânico.

Conclusão

  A partida do Rei e do governo para o Brasil, bem como a abertura dos seus portos ao comércio direto com a Inglaterra, gorou os projetos franceses, pela falta de poder naval franco espanhol para isolar a Inglaterra do Continente.

  Napoleão subestimou «a importância do mar no domínio do território português, supondo-o possível sem se dispor de poderio naval e sem estatuto político definido que a saída do «príncipe regente» tinha tornado completamente impossível.» [58]

  A Convenção de Sintra assinada em 30 de Agosto de 1808, representava a incapacidade francesa em impor o bloqueio continental, e como tal a neutralidade do porto de Lisboa.

  «Pode assim dizer-se que a invasão de Portugal pelos Franceses, dentro do Bloqueio Continental, está explicitamente relacionada com a estratégia marítima. É um capitulo da guerra atlântica e por sua vez, um capitulo dos primeiros ensaios da guerra económica e total.» [59]

  Contudo, o bloqueio se não fosse imposto pela força militar continuaria a não se impor. Por isso, Junot trazia instruções de o tornar efetivo. 

  No entanto outros factores contribuíram para o insucesso francês em Portugal, a propaganda ao ódio contra o inglês, a menor estima e o inferior interesse que representavam os franceses comparativamente com os ingleses [60].

  Mas à ocupação militar francesa seguiu-se o bloqueio naval inglês à costa portuguesa, e esse era realmente efetivo. Desta forma, a Inglaterra não só conservava o domínio do mar como permitia a oportunidade de um desembarque de tropas a qualquer momento.  A costa definitivamente escapava ao controle francês.

  Goravam-se assim os sonhos de Napoleão de atacar o trafego comercial britânico e atingir a América do Sul. Agora, incertezas no mar ao longo da costa portuguesa, só as havia para o lado francês. Mas, se a única hipótese de controlar e paralisar o trafego comercial inglês era inevitavelmente a ocupação da costa portuguesa, esta não trazia qualquer esperança de poder intervir no movimento marítimo.

  Terminava assim, a luta pela posse do Atlântico. O seu resultado foi o esmagamento das invasões francesas em Portugal.

  Foi Junot responsável pela ineficácia do bloqueio? Pelo menos Napoleão acusava-o sem hesitação de que «violava a lei do bloqueio contra a Inglaterra em Portugal e recebia navios neutros carregados de géneros coloniais, como se viessem da América e que todos sabem vir de Londres» [61]. 

  Em suma, quais os fatores que levaram as invasões francesas ao insucesso? Estamos em querer que a saída da família real para o Brasil, a abertura dos seus portos ao comercio internacional direto e o bloqueio da esquadra inglesa colocaram as invasões francesas num beco sem saída. O resultado lógico seria a derrota de Junot e a sua saída de Portugal.

  As duas invasões que se seguiram foram apenas tentativas de demonstração do prestigio militar de Napoleão [62].

  O malogro do bloqueio retirava definitivamente as hipóteses da França em fazer a guerra económica contra a Inglaterra.

 Poderia isolar Napoleão a Inglaterra do comercio com o mundo? Napoleão esqueceu-se que a Europa já não estava sozinha no mundo, mas antes um continente integrado no oceano. Ou seja, elaborou a sua estratégia limitando-a apenas à Europa. Sem um plano de além-mar e um poder naval de dimensão oceânica era uma tarefa senão impossível, pelo menos quase.

  Diz-nos Borges de Macedo: «Os factores de hegemonia política e económica que se desenvolviam na luta que se tratava indicavam forças e utilizavam recursos de que só com uma estratégia naval se podia impor.»[63]

  Em resumo, para lá de uma guerra militar, travou-se uma luta entre dois sistemas económicos, não menos decisiva, atribuindo às guerras napoleônicas uma característica de guerra total.

Bibliografia

HOBSBAWM, Eric, A era das revoluções, 5ª ed., Lisboa, Presença, Colecção Biblioteca do Século, 2001.

HOWARD, Michael, A guerra na História da Europa, Trad. Jorge Pinheiro, Mem-Martins, Publicações Europa-América, Colecção Fórum da História, n.º 23, 1997.

MACEDO, Jorge Borges de, O Bloqueio Continental, 2ª ed., Lisboa, Gradiva, Colecção Construir o Passado, n.º 20, 1990.

SCHROEDER, Paul W., The Transformation of European Politics, 1763-1848, Oxford, Clarendon Press, The Oxford History of Modern Europe, 1994.

SELVAGEM, Carlos, pseud., Portugal militar: compêndio de história militar e naval de Portugal desde as origens do Estado Portucalense até o fim da Dinastia de Bragança, Lisboa, Impr. Nac.- Casa da Moeda, 1991.

SILBERT, Albert, Do Portugal do antigo regime ao Portugal oitecentista, 3ª edição, Lisboa, Livros Horizonte, Colecção horizonte universitário, 1981.



[1] Cf. Eric Hobsbawm, A era das revoluções, 5ª ed., Lisboa, Presença, Colecção Biblioteca do Século, 2001, p. 91.

[2] Cf. id., ib., 91.

[3] Após a imposição do bloqueio continental (que veremos mais adiante),  a situação impôs-se na direcção oposta.  Agora, eram os franceses que desconfiavam da neutralidade de embarcações de outros estados marítimos, acusados de ajudar a Inglaterra.

[4] Cf. id., ib., p. 92.

[5] Cf. id., ib., p. 93.

[6] Cf. Carlos Selvagem, pseud., Portugal militar: compêndio de história militar e naval de Portugal desde as origens do Estado Portucalense até o fim da Dinastia de Bragança, Lisboa, Impr. Nac.- Casa da Moeda, 1991, p. 494

[7] Cf. Michael Howard, A guerra na História da Europa, Trad. Jorge Pinheiro, Mem-Martins, Publicações Europa-América, Colecção Fórum da História, n.º 23, 1997, p. 109.

[8] O bloqueio continental era anterior ao Tratado de Tilsit (1807). Antes, já Napoleão falara abertamente da sua intenção em integrar Portugal no seu sistema europeu. Em Outubro de 1806, (na véspera do decreto de Berlim), afirmara ao embaixador espanhol: «Conto com a Espanha para submeter Portugal ao sistema.»  Cf. Albert Silbert, Do Portugal do antigo regime ao Portugal oitocentista, 3ª edição, Lisboa, Livros Horizonte, Colecção horizonte universitário, 1981, p. 59.

[9] Cf. Jorge Borges de Macedo, O Bloqueio Continental, 2ª ed., Lisboa, Gradiva, Colecção Construir o Passado, n.º 20, 1990, p. 38.

[10] Se atendermos que neste período 45% da população inglesa estava envolvida com o comercio, marinha mercante e industria, um abrandamento do fluxo de exportações poderia ser dramático, ameaçando definitivamente o poderio britânico. Cf. id., ib., p. 39.

[11] Cf. id., ib., p. 38.

[12] O total domínio marítimo da Grã-Bretanha após a vitória na Batalha de Trafalgar em 1805, possibilitou um grande contributo na derrota do bloqueio continental imposto por Napoleão.

[13] Segundo as palavras de um estadista inglês: «a França, pelos seus decretos, resolveu abolir todo o comercio com a Inglaterra. Em resposta, a Inglaterra decretou que a França não podia comerciar com mais ninguém a não ser com a Inglaterra». Cf. Michael Howard, ob. cit, p. 110.

[14] Passim.

[15] O descontentamento que por volta de 1812 se fazia sentir na Europa, devia-se em grande parte ao bloqueio continental da Marinha Real.

[16] Cf. Paul W. Schroeder, ob. cit., p. 326.

[17] Passim. As primeiras formas de incomodar comercialmente a França, aconteceram fora do Continente Europeu, nomeadamente na América do Sul e no Médio Oriente. Tentavam-se acções que pudessem encorajar revoltas em França. Contudo, outra prioridade se impunha, salvar o máximo possível da Europa Continental ao controle francês. Cf. id. Ib., p. 327.

[18] Cf. id., ib.,  p. 325.

[19] Cf. Jorge Borges de Macedo, ob., cit., , p. 40.

[20] Cf. id., ib., p. 42.

[21] A importância do porto de Lisboa, segundo Borges de Macedo: «O porto «franco» de Lisboa, na sua amplitude com as suas enormes potencialidades de importação e armazenagem, acumulava extraordinárias reservas de mercadorias para venda na Europa, e era o símbolo e a mais alta expressão económica da excepcional capacidade da costa portuguesa como zona intermediária e entreposto de passagem entre a Europa e as zonas tropicais e semitropicais das Américas e de África.» Passim. E ainda, «À costa portuguesa afluíam, vindos do interior e do ultramar, o algodão, a seda, a lã, o linho, o açúcar, o cacau, o café, os vinhos, o azeite, os frutos, as madeiras. Lisboa era  o porto principal de trânsito dessas mercadorias, o término de numerosas linhas comerciais e o principio de outras. » Cf. id., ib., p. 50.

[22] Cf. id., ib., p. 51.Vejamos o que nos diz sobre isto o Manifesto do Príncipe Regente (dado no Rio de Janeiro em 1 de Maio  de 1808): «A França recebeu de Portugal desde 1804 até 1807, todos os géneros coloniais e matérias-primas para as suas manufacturas. A aliança da Inglaterra com Portugal foi útil à França, e na sua decadência que tiveram as artes e industria, em consequência de uma guerra perpétua por terra e de outra desastrosa por mar, em que ella só teve desbaratos, foi sem dúvida de grande vantagem para a França o não ter sido o comércio de Portugal interrompido; por certo foi ele igualmente útil a ambos os países». Cf. id., ib., p. 50.

[23] Cf. id., ib., p. 51.

[24] Cf. id., ib., p. 56.

[25] Cf. id., ib., p. 58.

[26] Cf. id., ib., p. 61.

[27] Cf. id., ib., p. 54.

[28] Cf. Albert SILBERT, ob. cit., p.50.

[29] Passim.

[30] Passim.

[31] Cf. id., ib., p..51.

[32] Cf. id., ib., p. 52.

[33] Cf. id., ib., p. 53.

[34] Passim.

[35] Cf. id., ib., p. 54.

[36] Passim.

[37] Cf. id., ib., p. 57.

[38] Cf. id., ib., p. 58.

[39] Cf. id., ib., p.59.

[40] Cf. id., ib., p.60.

[41] Para os franceses «o imperialismo britânico» era visto como algo «que dava muito e não custava nada» Passim.

[42] Cf. id., ib., p.62.

[43] Cf. Paul W. Schroeder, ob. cit., p. 339.

[44] Cf. Carlos Selvagem, ob. cit., pp. 494 e 495.

[45] Cf. Paul W. Schroeder, ob. cit., p. 339.

[46] Passim.

[47] A capitulação do exercito francês comandado por Dupont em Baylen, não deu tempo a José aquecer a cadeira do trono. Passim.

[48] A campanha militar na península foi equacionada pelos  ingleses, estava em causa a capacidade de resistência espanhola e o custo da expedição.

[49] Contudo, o auxilia britânico a Espanha, não totalmente aceite, em virtude das constantes falhas de cooperação militar entre os exércitos anglo-português e espanhol, e da resistência à  penetração comercial inglesa nas colónias e na península, dividiu o governo espanhol. A mesma questão aconteceu em Portugal, mas ai os ingleses conseguiram obter uma maior controle sobre a situação, conciliando-se com os portugueses por via diplomática. Cf. id., ib., p. 345.

[50] Cf. id., ib., p. 432.

[51] Cf. id., ib., p. 345.

[52] Cf. id., ib., p. 434.

[53] Cf. id., ib., p. 433.

[54] Cf. Jorge Borges de Macedo, ob. cit., p. 40.

[55] Cf. id., ib., p. 74.

[56] Cf. id., ib., p. 105.

[57] Passim.

[58] Jorge Borges de Macedo, ob. cit., p. 63.

[59] Cf. id., ib., p. 68.

[60] Cf. id., ib., 109.

[61] Cf. id., ib., p.111.

[62] Passim.

[63] Cf. id., ib., p. 118.

A Lista de Schindler como dispositivo de memória pública

  A Lista de Schindler como dispositivo de memória pública Resumo Este artigo analisa A Lista de Schindler (Spielberg, 1993) como obra ...