24/08/23

O Romance das Estradas - «A Morgadinha dos canaviais»


O Romance das Estradas

«A Morgadinha dos canaviais»

Camponês, família e carro em Entre Douro e Minho, In Kinsey, Portugal Illustrated (1828)

                                                                            Caem as cercas,

                                                                            rasgam-se os campos,

                                                                            abrem-se as estradas.

                                                                                                                       Vitor Hugo

I - Introdução

  A Morgadinha dos Canaviais, para além do interesse pela personalidade do seu autor, pelo desenrolar da intriga, além do convívio com simpáticas personagens de boa cepa portuguesa, torna-se num elemento importante para o conhecimento da sociedade portuguesa da época.

  Nesta obra, dirigida ao publico duma classe média, que nela encontra um meio ambiente próprio, conflitos quotidianos de uma existência, Júlio Dinis, sem voos de imaginação, seduz-nos pela equilibrada conjugação que faz da descrição dos ambientes, dos retratos das personagens e dos conflitos dramáticos.

  Ao longo deste romance, que nos leva até ao Minho, em que o autor invade os bastidores da cena política coeva, encontramos dois grandes acontecimentos nacionais: a abertura de novas estradas, a uma ritmo sem precedentes; e a ordem para que os enterramentos se fizessem em cemitérios e não nas Igrejas, como até então era costume. 

  Ao mesmo tempo assistimos às movimentações políticas de regeneradores e progressistas, que sempre antecediam as eleições desses círculos populacionais. Nesses manejos sobressai o caracter dúbio e alheio aos ideias que as suas palavras apregoavam aos quatro cantos.

  Assim, foi nossa intenção compreender o «drama» das estradas, evidenciando o contraste entre a tradição e a inovação.

II - A herança do Antigo Regime

  As sociedades e economias do Antigo Regime deram habitualmente vantagem ao transporte aquático. Esta opção determinou a prioridade das políticas de investimento em desfavor do fomento de estradas. Dava-se uma maior atenção à construção de canais e ao melhoramento da navegabilidade dos rios. Este tipo de posição manteve-se até ao surgimento dos caminhos-de-ferro, que vieram alterar a comodidade, a rapidez, o volume do transporte, e principalmente o preço.[1]

  A ideia que as fontes contemporâneas nos transmitem através dos roteiros de viagens, literatura, imprensa, documentos oficiais, etc., é de que viajar em Portugal era perigoso [2], moroso, oneroso [3],  e sobretudo apenas reservado a alguns.

  Já em finais do século XVIII havia a consciência da insuficiência das vias de comunicação. Os maus caminhos e as dificuldades de transporte eram os culpados da deficiente estruturação do mercado. [4]

  José Acúrcio das Neves em pleno século XIX dá-nos a imagem de que «as estradas de Portugal sejam, com mui poucas excepções, as piores da Europa; que as pontes e outras obras de pública utilidade estejam em abandono ou sejam raras na maior parte do Reino.» [5]

  E, em 1851, às portas da Regeneração, Henriques Nogueira, dava-nos um retrato das suas condições: «Correi, se tanto ousaes, alguma dessas estradas chamadas reaes, melhor diríeis imaginárias, que devem existir pelo paíz - e experimentareis a amarga exactidão das nossas vehementes accusações. Espécie hybrida entre o barrocal e o labirintho, a estrada portugueza ora vos guiará aos despenhadeiros e pedregaes, ora vos levará  insensivelmente, a um ponto de que não podereis sair. Por espaços - curtos - apresentar-se-vos-á orgulhosa, querendo avassallar a campina com a sua largura imponente: dahí a pouco vê-la-heis reduzida ás humildes e estreitas proporções de azinhagas. Por vezes mesmo chegareis a duvidar se estrada é com effeito o terreno que pizaes. Abençoareis de quando em quando a natureza, que vos deixa caminhar por um leito senão cómmodo ao menos macio. Amaldiçoareis continuamente a arte que substituiu, aqui ou acolá, por detestável e tremenda calçada o piso que o solo offerecia. Triste condição!» [6]

  A ação d' A Morgadinha dos Canaviais,  decorre num quadro muito semelhante. Ou seja, numa pacifica aldeia minhota, que dormita num sono de séculos, indiferente à «estreita e sinuosa vereda que pretensiosamente gozava das honras de estrada, à falta de competidora, em que melhor coubessem. [...] Dali a qualquer povoação importante, e com nome em carta corográfica, estendiam-se milhas de poucos e transitáveis caminhos.» [7]

  Daí se compreende o desespero do lisboeta Henrique de Souselas [8] ao pretender alcançar  a aldeia: «Isto não é estrada! - exclamou ele, exasperado. - São os nove círculos do inferno de Dante  virados para fora.»[9] E, já estafado pelo escabroso caminho de curvas fastidiosas afirmou: «Não se concebe uma estrada menos lógica do que aquela. No nosso pais são porém frequentes estas faltas de lógica nas estradas.»[10]

III - O Almocreve

   Ao longo dos diversos séculos da sua existência diversos imperativos condicionaram a estrutura dos transportes em Portugal. Conforme, Joel Serrão nos sugere eles tiveram diretamente ligados a imperativos geográficos, ás pulsações económicas, sociais, políticas e mentais da grei portuguesa, sobretudo ao longo da época moderna [11].

 O grande peso que o Brasil impunha, gravitando sobre si as rotinas de vida da sociedade, pautava as prioridades nacionais afetando desta forma a estrutura de transportes que teimava em ser alterada [12]. Assim, governantes e os meios ao dispor eram direcionados no sentido do ultramar.

  As épocas anteriores aos caminhos-de-ferro e ás estradas macadamizadas foram caracterizadas, justamente por essa seletividade do comercio a grandes distância, isto é, para lá do âmbito local ou regional. [13]

  Antes das grandes obras iniciadas a partir de meados do século XIX, os contatos e relações comerciais entre as várias áreas eram escassas. Ou seja, esses contatos eram mais localizados. Apenas para um numero restrito de mercadorias se alargavam as distâncias, como a exportação ou importação de certos géneros e para o abastecimento aos grandes centros populacionais como Lisboa e Porto. [14]

  Os pequenos percursos eram efetuados com o auxilio dos almocreves, que conduzindo animais, carros de bois, faziam as ligações com as longínquas aldeias do interior.

  Esses «andarilhos das sete partidas» começavam o seu trabalho essencialmente a partir dos locais onde os barcos se detinham, ou seja, onde os rios não chegavam e onde as estradas não permitiam o acesso. [15]

  A árdua tarefa de penetração no interior impunha conhecimentos, dificuldades e riscos. Era necessário conhecer as condições naturais do terreno, ultrapassar as deficientes condições das poucas e intransitáveis estradas de terra batida, e evitar as precárias condições de segurança que impunha aos viajantes [16].

  Os almocreves ao efetuarem tão duras jornadas onde percorriam esses temerosos caminhos, no qual o único meio de transporte eram as bestas de carga, permitiam e asseguravam um contacto com as regiões interiores evitando assim o seu isolamento.  A sua existência era justificada pelo «primitivismo das estradas portuguesa» [17]. No entanto este tipo de serviço e transporte era obviamente lento e oneroso.

  Júlio Dinis, no seu romance,  dá-nos a descrição de ««uma jornada, feita ainda segundo os velhos processos, com malas, coldres e pistolas, botas de montar e almocreve». [18]

IV - As estradas da  Regeneração

   A construção e renovação dos diversos tipos de vias, quer estradas, caminhos-de-ferro, rios e canais navegáveis, constituiu uma prioridade, desde o começo da década de 1840 [19], com a subida ao poder de Costa Cabral. [20]

  Havia uma imagem coletiva nos meios políticos de que a então estrutura de transportes bloqueava o desenvolvimento económico do país. [21]

  Os principais problemas que no século XIX eram necessários resolver no tocante aos  transportes nacionais, diziam respeito a como «transportar a grandes distâncias volumes de trafego constante»[22].

  As relações com o exterior e os interesses em sectores privilegiados para as grandes empresas capitalistas estrangeiras [23], foi algo que o poder político teve em conta ao delinear o processo de renovação dos transportes em Portugal no século XIX. [24]

  A construção das vias e assim a própria organização dos transportes, ficou assim, sempre dependente das decisões políticas do Estado de ideologia liberal e refletindo o modelo estrutural da organização social coeva.

  Somente a partir de meados do século XIX se começou a alterar a situação precária dos tradicionais caminhos, através da construção de vias macadamizadas.[25]

  Foi Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque e a então  Inspeção Geral das Obras Públicas do Reino os grandes impulsionadores pela política da criação de uma nova rede geral de comunicações. Não se restringindo apenas ás estradas mas também à articulação destas com a navegação fluvial e costeira. [26]

  As dificuldades financeiras em que o estado se encontrava tornaram-se num obstáculo para conseguir a melhor forma de financiar a construção e exploração das estradas [27]. Daí que até 1844 os trabalhos tenham sido basicamente  preparatórios com vista à elaboração de um projeto de construção de estradas. [28]

  Assim, os esforços na construção de uma nova infraestrutura viária, tiveram o seu inicio antes da Regeneração, que começou em 1851, num período de estabilidade social, mas não política.

  A primeira lei que regulamenta a moderna rede de estradas, e sistematiza a construção de estradas, foi aprovada em 22-07-1850. [29]

  Os políticos da Regeneração colocaram grandes esperanças no desenvolvimento da nova rede de transportes. Num fundo uma esperança comum em todos os países da Europa do séc. XIX.  [30]

  Fontes Pereira de Melo foi o enérgico realizador da política de reequipamento material, que já se vinha afirmando no espirito do tempo, já prevista e planeada por Costa Cabral [31]. 

  Esse estadista, pôs em pratica tantas as decisões que já se tinham tomado e ainda não concretizadas, como alterou outras de forma a levar por diante essa política de renovação das vias de circulação. [32]

  Até à subida de Fontes Pereira de Melo ao poder, em 1851, a ideia base previa o melhoramento da circulação através da construção de estradas, canais e melhoramento da navegabilidade dos rios. [33]

  Contudo, Fontes vai dar preferência à construção da rede ferroviária sobretudo a uma  linha internacional. Esta orientação tinha como base a justificação de um trafego interno escasso, ao contrário do comercio externo que representava a possibilidade de um rápido incremento do volume de transações. Este traçado que privilegiava o processo de importação exportação, respondia aos interesses dos grandes industriais e agrários. [34]

  O traçado da rede de estradas era definido não em função de estabelecer vias alternativas aos caminhos-de-ferro, mas como forma de complementaridade com estes. Esse traçado procurava responder «ás necessidades de circulação pré-existentes», as quais eram definidas em função das vias férreas. [35]

V - Oposições e sentimentalismos

  A lei de 15 de Julho de 1862 [36] «é o primeiro diploma que se encontra na nossa legislação que pode, e deve, considerar-se notável, relativamente à resolução dos problemas de viação ordinária, ao qual intimamente se prendem outros do mais alto interesse económico».[37]  Esta lei era uma afirmação do progresso. Mas a este surgiam obstáculos.

  Um dos problemas, o baixo ritmo de construção das estradas [38] advinha da ineficácia da administração do Estado. Essa ineficiência iria levar à constituição de empresas ou empreiteiros. [39]

  Os diversos governos liberais, independentemente do partido que representavam preferiram subcontratar, na maioria dos casos, a construção das estradas por razões de ordem prática que tinham a ver como a insuficiência da máquina administrativa do Estado. [40]

  Os construtores privados serviam também como intermediários no processo de expropriação, constituindo o foco de contestação perante os grandes proprietários com poder político, que estavam na iminência de ver as suas terras invadidas, substituindo assim os governos e ilibando-os de uma responsabilidade direta.[41]

  Manter um certo ritmo acelerado na construção das estradas e ao mesmo tempo manter o nível dos salários rurais, facilitou a opção da subcontratação de empresas privadas [42]. Aos grandes agricultores interessava-lhes mais não perder a abundância de mão-de-obra, do que obter vantagens com a construção de estradas.

  Outros riscos que os agricultores corriam era verem as suas terras atravessadas pelas novas estradas, como nos retrata Júlio Dinis no seu romance. [43]

  Um dia, naquela aldeia minhota, os trabalhos para a estrada tornam-se realidade, sacrificando não quem tinha influência política e fortuna mas quem era inofensivo, «o ervanário Vicente».

  Desta forma, «A aldeia vira-se invadida por um bando de seres desconhecidos, que vieram alterar a perene serenidade de ânimo de uma população habituada a considerar como ocorrências de máximo interesse a reforma dos muros ou das cancelas de qualquer proprietário da localidade.» [44]

  No entanto essa chegada não foi pacifica pois os populares esboçaram a intenção de alguma resistência.  Porém, rapidamente desistiram, «em parte pelo respeito devido à coorte de operários melhor armados do que eles...»[45]

  Ao mesmo tempo, a própria paisagem modifica-se com «as bandeirolas, os niveladores, as enxadas, as pás, alviões, picaretas, carros de mão e padiolas» [46]. Chegavam com elas o homem das estradas, o engenheiro, trazendo na bagagem uma nova cultura, uma nova forma de encarar a vida.

  Contudo, não era esta a opinião que advogava o missionário que na igreja fazia o seu pregão, pois ele «fulminava com [...] veemência os progressos da indústria moderna e chamava redes do demónio e caminhos do inferno aos telégrafos eléctricos e às vias férreas.» [47] Dizia ele: «São esses os que trazem das cidades a peste para as aldeias, são estas as pragas que nos vêm com as estradas e com a civilização.» [48]

  A pesar destas oposições e do lento processo na reconstrução das vias de circulação - pois as dificuldades técnicas e financeiras eram escassas - elas contribuíram imenso para alterar essa «permanência multissecular» e permitir o desenvolvimento dos transportes e comunicações internas.  [49]

  O que importa reter é que, mais lenta ou rápida, com menos ou mais troços que os desejados ou previstos, a nova rede de estradas, pelo menos pela qualidade dos percurso, tornou-se numa mais valia nacional, pois tinha mudado os caminhos herdados da sociedade do Antigo Regime. [50] 

  Ou seja, no Romance d' A Morgadinha dos Canaviais, «O machado demolidor e a alavanca»[51] consumara a obra, a estrada vencera definitivamente oposições e sentimentalismos.

VI - Conclusão

  Neste romance, que mais parece um quadro que as palavras pintaram, vimos a cor local (usos e costumes do Norte: a banda do Pertunhas, a leitura das cartas em plena estrada, etc.); a cor do tempo (enterros nos cemitérios, eleições ridículas, morgados insuportáveis, estradas que levam ervanários sentimentais às portas da morte, brasileiros influentes e mesquinhos, preceptores instruídos e delicados mas pobres, arrastando a sua dependência pelas casas fidalgas);  a pintura dos caracteres, incluindo a heroína; e as pinceladas sóbrias e variadas de aquarelas paisagísticas que importa observar no que tem de comum e no que as distingue. Em suma: um romance com muitos detalhes históricos de um Portugal rural há muito perdido.

  Na sua mensagem, Júlio Dinis, deixou-nos um retrato da sua época. A aldeia onde tudo se passa, representa a imagem das aldeias oitocentistas em Portugal. Ali nos mostra o choque entre o progresso material, a modernidade, a transformação das mentalidades e  a ignorância do povo, sujeito aos interesses transversais dos caciques e dos políticos cautelosos e ao obscurantismo do clero.

  «Caminhos-de-ferro, estradas, pontes, telégrafos, comunicações, em suma, são a obra material mais evidente e decisiva que a Regeneração levou a cabo. O seu impacto na sociedade foi enorme. A criação de um mercado nacional trouxe profundas mutações sociais, alterações do modo de vida de todos os sectores da população, o enriquecimento de uns, a miséria de outros, o aparecimento de novos grupos sociais e o declínio da importância de outros, a eclosão de uma nova mentalidade, esta sim, verdadeiramente burguesa, que quarenta anos mais tarde, em 1890 e 1910 vai aderir ao republicanismo como alternativa da sua expressão política.» [52]

  Em suma, Júlio Dinis nesta sua obra, resuma um Portugal novo que saia das leis de Mouzinho da Silveira e do ministério progressista de 1861. Mas, mostra-nos também a adesão a um novo período, a Regeneração em que a apologia e a confiança nas transformações sociais, do trabalho e do progresso, espelha-nos o novo optimismo das classes médias, característico do século XIX. 

VII - Bibliografia

·        Alegria, Maria Fernanda, A organização dos transportes em Portugal (1850 - 1910), Lisboa, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de Lisboa, INIC, Memórias do Centro de Estudos Geográficos, n.º 12, 1990.

·        Costa, Fernando Marques da, «Sociedade e grupos sociais no período constitucional»,  in História de Portugal (dir. de J. Hermano Saraiva), vol. VI, Alfa, Lisboa, 1983.

·        Diário das Cortes, Vol. I, n.º 7, 6 de fevereiro de 1821 (relativo à sessão de 5 de Fevereiro do mesmo ano).

·         Dinis, Júlio, A Morgadinha dos Canaviais, Porto, Porto Editora, 2003.

·        Justino, David, A formação do espaço económico nacional, Portugal 1810-1913, Lisboa, Veja, Vol. I, Colecção Documenta Histórica , n.º 10, 1986

·        Justino, David, A formação do espaço económico nacional, Portugal 1810-1913, Lisboa, Veja, Vol. II, Colecção Documenta Histórica , n.º 11, 1986.

·        Neves, José Acúrsio das, Memória sobre os meios de melhorar a indústria portuguesa, considerada nos seus diferentes ramos, introd. e notas Jorge Custódio, Lisboa, Querco, 1983.

·        Nogueira, José Félix Henriques, Estudos sobre a reforma em Portugal, Lisboa, Typographia Social, 1851.

·        Serrão, Joel, Temas Oitocentistas - I, Lisboa, Livros Horizonte, Obras de Joel Serrão, n.º 2, 1980

 

VII - Pesquisa Bibliográfica

  Na nossa consulta às bases de dados, Biblo e PorBase, utilizamos diversas combinações a partir dos seguintes termos de pesquisa: «Estradas», «Transportes», «Atraso económico» e «Desenvolvimento económico».

·        Termos de pesquisa «Estradas» e «Transportes»:

Biblo

[Palavras no assunto] Estradas [E] [Palavras no assunto] Transportes  3 registos

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PorBase

IPAC (em modo «avançado»)

 

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[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no título] Transportes  3  registos

 

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[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Transportes  988 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no título] Transportes  1203 registos

 

SIRIUS (em modo «avançado»)

 

[Palavras no assunto] Estradas [E] [Palavras no assunto] Transportes  0  registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no assunto] Transportes  0  registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no título] Transportes  0  registos

 

[Palavras no assunto] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Transportes  412 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Transportes  463 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no título] Transportes  166 registos

·        Termos de pesquisa «Estradas» e «Atraso económico»:

Biblo

 

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PorBase

 

IPAC (em modo «avançado»)

 

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[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no assunto] Atraso económico  0 registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no título] Atraso económico  0  registos

 

[Palavras no assunto] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Atraso económico –11 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Atraso económico  558 registos

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SIRIUS (em modo «avançado»)

 

[Palavras no assunto] Estradas [E] [Palavras no assunto] Atraso económico  0  registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no assunto] Atraso económico  0  registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no título] Atraso económico  0  registos

 

[Palavras no assunto] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Atraso económico  0 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Atraso económico  56 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no título] Atraso económico  59 registos

·        Termos de pesquisa «Estradas» e «desenvolvimento económico»:

Biblo

 

[Palavras no assunto] Estradas [E] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 1 registos

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[Palavras no assunto] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 10 registos

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PorBase

 

IPAC (em modo «avançado»)

 

[Palavras no assunto] Estradas [E] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 0  registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 0 registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no título] Desenvolvimento económico – 1 registos

 

[Palavras no assunto] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 230 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 777 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no título] Desenvolvimento económico – 1002 registos

 

SIRIUS (em modo «avançado»)

 

[Palavras no assunto] Estradas [E] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 0  registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 0  registos

[Palavras no título] Estradas [E] [Palavras no título] Desenvolvimento económico – 0  registos

 

[Palavras no assunto] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 204 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no assunto] Desenvolvimento económico – 255 registos

[Palavras no título] Estradas [OU] [Palavras no título] Desenvolvimento económico – 112 registo



[1] Cf. Justino, David, A formação do espaço económico nacional, Portugal 1810-1913, Lisboa, Vega, Vol. I, Colecção Documenta Histórica , n.º 10, 1986, p.177.

Diz-nos ainda este autor que: «A lentidão do transporte terrestre e sua consequente carestia é uma marca muito forte da mobilidade dos bens nas sociedades de Antigo Regime.» Cf. Id. ib., p.194.

[2] Conta-nos Júlio Dinis: e os «caminhos sucediam-se aos caminhos, qual mais tortuoso e incómodo de trilhar; as curvas complicavam-se com as ruas de um labirinto. Aqui subiam; desciam mais além, para subir outra vez. Umas vezes caminhavam em terreno descoberto, outras penetravam em tão estreitas quelhas, apertadas de ramos entrelaçados, que só o instinto do animal podia evitar-lhe os perigos..» Dinis, Júlio, A Morgadinha dos Canaviais, Porto, Porto Editora, 2003, p. 17.

[3] «... quem tem de fazer alguma jornada há-de pagar a sua ida, e outro tanto de aluguer, quantos houverem de ser os dias de retorno, ao almocreve. Esta é uma despesa que forçosamente têm de fazer todos os que viajam em Portugal.» Revista Universal Lisbonense: jornal dos interesses physicos, moraes, e literários / por uma sociedade estudiosa, Lisboa, Imprensa Nacional, 1841-1859, cit. por Serrão, Joel, Temas Oitocentistas - I, Lisboa, Livros Horizonte, Obras de Joel Serrão, n.º 2, 1980, p. 108. 

Outro testemunho nos é dado por Manuel Fernandes Tomás, em 1821, no seu Relatório acerca do Estado Público de Portugal às Cortes Constituintes: «Vós não ignorais, Senhores, que sem estradas os frutos e objectos de industria são quase perdidos na massa geral dos interesses sociais, porque o transporte excede muitas vezes o preço das mercadorias.» In Diário das Cortes, Vol. I, n.º 7, 6 de fevereiro de 1821 (relativo à sessão de 5 de Fevereiro do mesmo ano).

[4] Alegria, Maria Fernanda, A organização dos transportes em Portugal (1850 - 1910), Lisboa, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de Lisboa, INIC, Memórias do Centro de Estudos Geográficos, n.º 12, 1990, 36.

[5] Neves, José Acúrsio das, Memória sobre os meios de melhorar a indústria portuguesa, considerada nos seus diferentes ramos, introd. e notas Jorge Custódio, Lisboa, Querco, 1983, p. 108.

[6] Nogueira, José Félix Henriques, Estudos sobre a reforma em Portugal, Lisboa, Typographia Social, 1851, p. 184.

[7] Dinis, Júlio, ob. cit., p. 5.

[8] O qual «Havia dois dias que cavalgava aquele rocinante, único veículo acomodado aos caminhos por que passara.» Id. Ib., p.8.

[9] Id. ib., p. 13.

[10] Id. ib., p. 12.

[11] Cf. Serrão, Joel, ob. cit., p. 103.

[12] Cf. id. ib., p. 104.

[13] Cf. Alegria, Maria Fernanda, ob. cit., pp. 35-36.

[14] Cf. Id. ib., p. 35.

[15] Cf. Serrão, Joel, ob. cit., p. 105.

[16] Cf.  Passim.

[17] Id. ib., p. 106.

[18] Dinis, Júlio, ob. cit., p. 12.

[19] Quando «os «barões» apoiaram Costa Cabral na sua atabalhoada imposição ao país do capitalismo então possível. É nesse período (...) que a febre dos transportes - estradas, diligências, sonhos mais ou menos utópicos de caminhos-de-ferro - empolga certa burguesia citadina de pé fresco.» Serrão, Joel, Temas Oitocentistas. Para a História de Portugal no século passado. Ensaios, I, II, 2ª ed. Lisboa, Livros Horizonte, 1980, p. 121.

[20] Cf. Alegria, Maria Fernanda, ob. cit., p. 31.

A partir de 1840 Portugal procurou alterar, aquilo que já desde o inicio do século XIX outros países europeus tinham começado (segundo a expressão de Joel Serrão): a «permanência multissecular da estrutura dos transportes». Serrão, Joel, ob. cit., p. 103.

[21] Cf. Justino, David, ob. cit., p.192.

Disso também nos dá relato, a Revista Universal Lisbonense de 1842, dirigida por Castilho, «As estradas», conforme já referimos, «são indispensáveis  por mais de um motivo; são indispensáveis para que as produções e os homens possam circular. É preciso que a população rural venha à cidade e a urbana vá ao campo. Sem esta fusão, Portugal, não obstante ser tão pequeno, não há-de ser nação, nem o seu governo será senão Lisboa e alguma coisa do porto; o resto do país não há-de ter a consciência necessária do que se entende por esse vocabulário, nem lhe há-de importar muito adquiri-la. Hão-de continuar a falar  nas províncias tanto de Lisboa, como em Lisboa se fala delas, que não pode ser menos. Cada povoação subsistirá, por assim dizer, como um membro disperso e rude na pequena república portuguesa, e de facto apenas nos podemos contar por mais do que uma federação». Revista Universal Lisbonense: jornal dos interesses physicos, moraes, e litterarios / por uma sociedade estudiosa, Lisboa, Imprensa Nacional, 1841-1859, cit. por Serrão, Joel, ob. cit., pp. 108-109.

[22] Alegria, Maria Fernanda, ob. cit., p. 34.

[23] Ao qual se juntou o tardio desenvolvimento do capitalismo português. Cf. Id. ib., p.40.

[24] Cf. id. ib., p. 41.

[25] A construção de estradas de forma sistemática segundo o processo inventado por Mac-Adam, iniciou-se em 1849. Cf. id. ib.,  p. 100.

[26] Cf. Justino, David, A formação do espaço económico nacional, Portugal 1810-1913, Lisboa, Veja, Vol. II, Colecção Documenta Histórica , n.º 11, 1986, p.191.

[27] A falta de recursos financeiros ao lado de um fraco conhecimento técnico e uma insuficiente informação acerca das realidades do país, constituíam em 1839 um sério obstáculo a um problema que se colocava de forma premente desde à muito tempo. Cf. Alegria, Maria Fernanda, ob. cit., p. 48.

[28] Cf. Justino, David, ob. cit., p.192.

[29] Cf. Alegria, Maria Fernanda, ob. cit., p. 104.

[30] Cf, id. ib., p. 36.

[31] Cf. id. ib., p. 33.

[32] Cf. id. ib., p. 55.

[33] Cf. id. ib., p. 45. Ou seja, persistia a opção de privilegiar as estradas como esqueleto da rede viária nacional.

[34] Cf. id. ib., p. 55.

[35] Cf. Justino, David, ob. cit., p.193.

Em termos de prioridades, podemos dizer que 52% das estradas reais e distritais encontravam-se localizadas no litoral, estando as restantes 48 %  localizadas ao interior. Idêntica percentagem acontecia com as estradas municipais. Cf. Passim.

[36] Este diploma, revogava a lei de 22 de Julho de 1852, de interpretação duvidosa, procurando colmatar diversos aspectos omissos, tais como o numero de quilómetros a construir,  prazo para o termo da construção, definição dos traçados, nova classificação e formas de financiamento. Cf. Alegria, Maria Fernanda, ob. cit., p. 116.

[37] Relatório da Comissão Parlamentar de Obras Públicas. A Viação Ordinária em Portugal, 1907, p. 4. Cit. por Id. ib., p. 116.

[38] Cf. Justino, David, ob. cit., p.192.

[39] Cf. Alegria, Maria Fernanda, ob. cit., p. 111.

[40] Cf. id. ib., p. 114.

[41] Cf. Passim.

[42] Cf. Passim..

[43] «Quando se fala em estradas, já estou a tremer - disse um dos lavradores. O que elas vem cá fazer é cortar-nos os campos, e afinal não sei para que servem.» Dinis, Júlio, ob. cit., p. 191.

E ainda afirmava o Sr. Joãozinho: «Eu cá já disse: se os tais homens das bandeirolas me tornam a passar por as terras, sempre lhes meço as costas com um marmeleiro que lá tenho, [...] Uns mariolas!...» Id. ib., p. 190.

[44] Id. Ib., p. 368.

[45] Passim.

[46] Passim.

[47] Id. ib., p. 341.

[48] Id. Ib., p. 342.

[49] Serrão, Joel, ob. cit., p. 116.

[50] Justino, David, ob. cit., p.194.

[51] Dinis, Júlio, ob. cit., p. 369.

[52] Costa, Fernando Marques da, «Sociedade e grupos sociais no período constitucional»,  in História de Portugal (dir. de J. Hermano Saraiva), vol. VI, Alfa, Lisboa, 1983, p. 174.

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