30/08/23

Uma antropologia do turismo turisto-excêntrica ?

 Uma antropologia do turismo turisto-excêntrica ?

Deverá a Antropologia do Turismo prescindir dos turistas no seu campo de análise?

  Nesta nossa primeira abordagem, entendemos que a questão deveria ser analisada na relação causa/efeito. Por base estabelecemos algumas ideias que teremos como modelo para a nossa apreciação. Assim, qualquer individuo é um potencial causativo em qualquer campo de ação. Causa e efeito necessariamente interoperam à medida que uma pessoa experiência a vida. De forma a poder viver o homem tem que atuar; ele é forçado a ser efeito bem como causa. Quando decidimos comer tornamo-nos causa; o momento em que comemos tornamo-nos efeito. Uma pessoa é causa antes de se tornar efeito; tornando-se efeito, não é difícil de o continuar até se tornar de novo causa. A vida é assim, um inter jogo de causa e efeito. A causa primária de cada individuo é “ser” [1], a decisão para mover-se de um estado de não-ser para um estado de ser. A causa sempre precede o efeito.

  Aplicando esta relação ao nosso tema, diríamos que entre turista e turismo, um teria de ser a causa primária, ou seja, um teria sempre de preceder o outro. Se considerarmos cada um como entidades isoladas poderíamos tentar entender as duas tomadas de decisões, isto é, a passagem do não turista para o turista e a da passagem do não turismo para o turismo. Neste último caso não o poderíamos fazer em termos de ação, apenas na forma historicizada acompanhando o movimento (do processo físico e mental), em paralelo, do nâo-turista para o turista. Esse potencial causativo desse movimento é representado pela motivação que leva o não turista numa existência ativa. Desta forma, uma pessoa tem de querer ser turista antes de se tornar em turista. Então, quando é que ele se torna efeito? Depois de se ter tornado causa sobre a forma de motivação ativa. Ou seja, podemos ter o desejo de ser efeito. Em suma, o turista torna-se causa no desejo para receber sensações da vida que atuam nele como efeito.

O modelo nas interpretações de outros autores

  Na introdução de Hosts and Guests, Valene L. Smith, apresenta-nos um turista que corresponde ao individuo que temporariamente procura o lazer e “voluntariamente visita um lugar distante de  casa, com o propósito de experimentar uma mudança” [2] (1989: 1). Esta procura temporária é causativa sobre a vontade de sair para um lugar distante. O efeito é a experiência da mudança.

  Graburn fala-nos do turismo como uma atividade com vista à obtenção de prazer e que estrutura o ciclo de vida possibilitando uma alternância entre os períodos de trabalho e os de descanso (Graburn, 1989). Ou seja, encontramos aqui essa alternância dos estados de causa e efeito. A causa ou motivo é fornecida pelos períodos de trabalho, o efeito é obtido nos de descanso e a experiência a obtenção de prazer. Temos aqui causa e efeito numa alternância que se relaciona com uma outra que Graburn (1989) nos apresenta, em que sagrado e profano marcam períodos importantes da vida social e medem a passagem  do tempo. Ele (Graburn, 1989) explica-nos o contraste entre o estado de trabalho ordinário/obrigatório efetuado “em casa” e o estado sagrado não ordinário/voluntário que se obtêm  “longe de casa”. O individuo que se torna efeito do trabalho, move-se para causa

nessa motivação para sair. Tomada a decisão a viagem transforma-se na forma sagrada da ida em busca do lazer que representa o desejo de ser efeito, marcando a alternância nos novos ciclos da vida (1989). Essa alternância torna-se cíclica e apresenta-nos dois estádios emocionais: o “sagrado” em que a vida vale a pena viver e o “secular” em que a vida se apresenta como a forma em que não deve ser vivida (Graburn, 1989).

  Cada uma destas nossas duas vidas, como Graburn lhes chama, “a sagrada/não ordinária/turística e a profana/laboral/caseira são ambas marcadas por rituais de passagem de tempo e da própria vida em que as emoções seguem um ciclo de ação de causa e efeito  sendo composto por  um principio, um meio e um fim” (1989: 26).

  Segundo Nash (1989) a causa determinante para o turismo, parece ser a obtenção de um nível de produtividade capaz de sustentar o lazer. A produtividade é apresentada como a chave para o turismo (Nash, 1989). O lazer é o estado de efeito que se procura em função do resultado obtido na causa sobre a produtividade. Nash refere ainda: “o processo turístico envolve a produção do impulso turístico nos centros produtivos, especialmente na sociedade industrial …” (Nash, 1989: 40). Aqui, esta colocou o individuo em efeito, movendo-o para causa produzindo impulsos turísticos com a finalidade de obtenção do efeito.

  Outra relação que Nash (1989) estabelece tem a ver com o processo que envolve a produção de turistas. Trata-se duma relação de causa e efeito em cadeia no que toca a transações entre eles, os seus agentes e os anfitriões e que afetam pessoas e culturas envolvidas. O efeito em que a sociedade de partida se transforma produz o agente turístico que se torna causativo sobre a produção turística. O turista que se pretende por em efeito torna-se causativo na sua decisão de partir. Quando ele chega ao destino procura experimentar o lazer tornando-se voluntariamente efeito dos anfitriões que não o querem ser.

  Já com Urry (2002) percebemos que o turismo constitui uma prática cultural pós-moderna onde a relação de causa efeito surge entre os que servem e os que consomem. Este autor apresenta-nos a causa que faz com que as pessoas se afastem do seu ambiente diário de vida, por curtos períodos de tempo, se tornem efeito no destino pelo consumo de bens e serviços (que de alguma forma são desnecessários), porque isso lhes proporciona experiências agradáveis e diferentes do seu dia-a-dia. A causa é o consumo motivado pela necessidade da experiência de coisas diferentes. O efeito, as experiência agradáveis consumidas. “Uma dessa experiências é contemplar ou ver uma série de cenas diferentes de paisagens que estão para lá do ordinário” (Urry, 2002: 1).

  Também Crick nos apresenta a mesma visão dum mundo pós-marxistas onde “o ênfase mudou da produção para a imagem, anuncio e consumo” (1989: 333), ou seja, onde o turismo é uma actividade essencialmente pós-moderna.

  Nesta relação de causa efeito onde a alternância é uma constante, assenta bem a ideia de MacCannel de que “o turista é o atual individuo, ou em verdade as pessoas são atualmente turistas” (1999:1). Também este autor coloca o conceito atual de vida numa relação entre trabalho e prazer levando a que o “turista, maioritariamente de classe media, se propague através do mundo inteiro à procura de uma experiência” (MacCannel, 1999:1). No seu encontro com o exótico o turista procura a autenticidade da experiência. O exótico torna-se na causa que produz a demanda pelo efeito do autêntico.

  Desta forma, o exotismo surge-nos como um elemento causativo de extrema importância. Quando Berghe e Keys afirmam que “o turista procura uma experiência que não possa ser duplicada do seu habitual local de residência” (1984: 345) percebemos que o ingrediente essencial do turismo é o exotismo. Este permite o turista tornar-se em efeito quando atravessa os limites do mundo social que conhece e viaja para outras partes (Berghe, Keyes, 1984).

  Em Cohen (1979) encontramos na relação entre centro e periferia uma relação de dependência. O efeito causado pela sociedade no individuo em sair do seu centro para fora, na tentativa de regular as suas tensões e o restaurar, torna-se na causa para o seu regresso de novo ao centro, para afirmar a sua condição de efeito na execução das suas atividades diárias. Aqui o turismo não se poderia tornar central, pois isso levaria o individuo a desviar-se ou a escapar dos deveres que lhe foram impostos pela sociedade (Cohen, 1979).

  Em suma, sejam quais forem as tipologias de turistas ou turismo e independentemente das varias experiências e conceptualizações, o elemento comum é o desejo por efeito.  Ou seja, turismo é a dinâmica social onde o individuo não deseja ser causa.  E, quando falhamos de uma maneira ou outra em experimentar o efeito pretendido, tornamo-nos no efeito do efeito, em vez da causa do efeito.

Escape, a grande motivação

  Nas várias interpretações dos diversos autores onde surge a ideia de escape como forma de reação aos contextos do modernismo, parece-nos uma aplicação com sentido algo critico. Existe algo de errado em escapar?  È louco o homem que procura afastar-se de um incêndio que o ameaça, de um peso que o vá esmagar, de um mundo que ri dos seus sonhos e o repreende pela sua estupidez? Escape. Porque não escapar. Porque é que o cristianismo se propagou tão bem? E o budismo? Não foi porque prometeu o escape? Então, porque não escapar, se as grandes religiões de todos os tempos se tornaram grandes na promessa de escape.

  Assim, nesta dialética teríamos de concluir que o turismo é de certa maneira uma forma de religião. Esta ideia cruza-se com a de Graburn em que “a jornada turística, contida, numa esfera de existência não-ordinária, está moralmente colocada num plano superior e simbolicamente sagrado, em relação à vida diária de trabalho” (1989: 36).

  MacCannell (1999) considera o turismo uma forma moderna de peregrinação, uma espécie de refúgio da modernidade. E esta dialética aplica-se independentemente do turismo ter tantas variantes como turistas, pois a motivação básica está na necessidade de escape. Ou seja, a necessidade de procura de efeito.

Turista/turismo uma relação de causa-efeito

  Continuando nesta relação de causa/efeito olhemos agora para a relação turista/turismo. Vimos anteriormente que o homem ciclicamente torna-se causa para se tornar efeito. Esta forma de interpretação poderia ser chamada de paradoxo cíclico de causa e efeito, ou seja, algo de cuja existência depende outra, que por sua vez é a causa da existência de algo, tal como a universalmente conhecida questão: «quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?». Então coloquemos agora a questão envolvendo os contextos em causa: quem surgiu primeiro o turista ou o turismo? Enzensberger também coloca a dúvida afirmando: “turismo (...) é difícil dizer se fomos nós que o criamos ou se foi ele que nos criou” (2001: 119).

 Para tentar chegar a alguma conclusão teremos primeiro que historiocizar um pouco esta relação de causa/efeito.

  Todos nós temos consciência que viajar é um dos aspectos mais comuns da vida humana desde a sua formação. Então se “as pessoas sempre viajaram, como justificaríamos  historicamente isolar o chamado turismo [3]  de algo que já existia, como se isso nos torna-se  [agora] únicos?” (Enzensberger, 2001: 122). Enzensberger aponta as razões de viajar para causas de necessidade, quer de natureza biológica ou implicadas em outras de carácter geográfico e climatérico (2001). Tínhamos inicialmente, antes da fixação das primeiras civilizações e mais tarde em movimentos próprios e isolados, um nomadismo que tornando-se efeito de condições adversas de um dos seus centros procurava ser causa na sua sobrevivência movendo-se para outro centro. Ai permaneciam até esse efeito (de abastança) se tornar no seu efeito (escassez). Seja como for, para esta viagem não havia uma vontade própria. Estamos perante um escape com vista a um impulso básico de sobrevivência. Os primeiros indivíduos que saíram por vontade própria foram os mercadores. Ou seja, o mesmo impulso básico motivado pela necessidade da troca na longa distancia. Essa vontade própria também a tem o turista moderno que temporariamente procura lazer e visita lugares (Smith, 1989).

 Nash contraia esta ideia afirmando que “se tivermos em conta que o turismo impele para a migração de lazer e tudo o que lhe estiver associado, (…) então é difícil não o encontrar nas sociedades pré-industriais” (1989: 39). Ou seja, segundo o mesmo autor “existe uma dificuldade em isolar o lazer nas sociedades de caça e recolecção” (1989: 39), considerando ainda que “alguns aspectos das suas  perpétuas migrações podem ser consideradas um tipo de proto-turismo”. Na análise às suas palavras estamos de acordo quanto à classificação que atribui, pois ela própria terá quer ter um contexto próprio, que não o de turismo no sentido moderno. Nesta diferença destaca-se o tipo de prazer e a forma causativa que propõe um desejo de efeito diferenciado.

  Colocaremos agora a questão: quem viajava até à modernidade? Soldados, estadistas, professores e estudantes, mendigos, peregrinos, bandidos, mas sobretudo mercadores. Até à modernização da sociedade, viajar era privilégio de uma minoria (Sharpley, 2008). Podemos mesmo dizer que viajar até ao século XVIII podia-se considerar mais um fim em si (Enzensberger, 2001). Numa comparação entre a ideia de viagem antes e depois do modernismo sobressai a procura do diferente. E não é esta procura exclusiva da sociedade moderna?

  O turismo é primitivamente uma atividade social. Na antiguidade viajar por prazer era opção muito limitada. Não esqueçamos que se viajava-se por razões de comercio, politicas e militares. A evolução do turismo alonga-se numa linha temporal que parte de uma atividade das elites até ao actual fenómeno de massas. Só depois do “aristocrático Grand Tour do século XVIII se deu lugar à Idade da Industrialização, quando viajar se tornou possível para a classe média (Crick: 1989: 308).

  Seguindo a ideia de Butcher “o turismo moderno pode dizer-se ter emergido com a sociedade industrial moderna no século XIX. Neste século, a industrialização multiplicou tanto os meios de transporte (...) e criou um mercado em crescimento entre as novas classes industriais e profissionais e as massas também.” (Butcher, 2003: 5). Foi esse crescimento que permitiu a democratização da viagem de prazer. O homem causa a mudança social e esta provoca efeitos sobre ele.

  Uma sociedade “onde a produtividade é suficiente grande, onde os horizontes estão alargados e a mobilidade social tem um significado suficiente, permite que o impulso turístico se desenvolva.” (Nash, 1989: 40)

  Logo “…os fatores associados com o aparecimento e desenvolvimento do turismo  são o aumento da produção que cria lazer, mobilidade psicológica associada ao alargamento dos horizontes, e o desenvolvimento dos transportes e comunicações” (Nash, 1989: 41). Ora tanto essa produtividade grande e suficiente, como o alargamento dos horizontes e da mobilidade social não existiam nas ditas sociedades pré-industriais que Nash (1989) nos fala. Por isso questionamos essa forma de lazer que ele apresenta.

  Também para MacCannel (1999) o turismo é a demanda do homem moderno e o turista é o homem pós-industrial fazendo uma homenagem ritualizada a uma elaborada e experimental fragmentação da divisão do trabalho, que requerer a procura por autenticidade noutras culturas.

  Seja ou não o turismo um fenómeno moderno, do século XX, diferente da viagem, peregrinação, exploração e por ai a fora, dos períodos anteriores, ele é um fenómeno em que o individuo gera causa e cria o seu efeito no modelo já explicado.

  Enfim, “seja qual a forma como definimos, descrevemos ou analisamos o turismo,  é o turista que permanece no coração do assunto. È a ação do turista ao pegar no telefone para ligar ao agente de viagens ou meter-se num carro para fazer uma viagem ...” (Burns, 1999: 41). No fundo é esta decisão que propomos como causa primária que provoca o desejo por efeito.

Conclusão

  Aceitamos o desafio já anteriormente enunciado, mas temos a consciência de que muito mais havia para dizer. Os condicionalismos de tempo e limite de páginas levou a que ficássemos por aqui. Abordamos tanto quanto possível a dicotomia causa/efeito na relação turista/turismo, mas outras poderão ser abordadas, no mesmo contexto, como por exemplo: ficar/escapar; mudança/não mudança; imaginado/verdadeiro; aceitação/rejeição.

  Contudo, em função da nossa exposição e respondendo à questão inicialmente levantada parece-nos que colocar o turista fora do estudo do turismo não faz qualquer sentido. Mesmo que criemos o lugar turístico sem a presença do turista, ele é sempre produzido em função da relação causa efeito já exposta. Numa condição de causa/efeito, turista e turismo são indissociáveis. E não podemos separar o turista porque cremos que ele é sempre a causa primária no processo. Pode haver alternâncias, mas neste sistema de causalidade não há lugar ao isolamento das entidades.

  Turista e turismo apresentam-se na forma de uma reação química, que pelas leis da Física para ocorrer tem de pelo menos existir dois elementos (sendo um dele o reagente), para obtermos o produto final. A reação do turista (como principal reagente) ao entrar em contacto com o novo ambiente e anfitriões (que reagem ao turista) produzem o produto final da reação, o turismo. Assim, ao definir o turista estamos a definir o turismo.

  E se tivéssemos que resolver o paradoxo cíclico de quem surgiu primeiro, então diríamos que a única coisa que nasce primeiro é o conjunto de situações que promovem a vontade e se tornam na causa de querer viajar e obter o lazer associado.

  Em suma, ser turista é ser causa do efeito. Ou seja, é a necessidade de viajar em que a vontade própria é causa e se procura um efeito de escape, elemento essencial para a sobrevivência não tanto a nível biológico, mas determinantemente no plano mental. O homem mostra-se assim caminhando cada vez mais em busca da sua sobrevivência privilegiando o campo da espiritualidade. Não nos esqueçamos de que ser causativo é uma das maiores pretensões que espiritualmente perseguimos.

  Turismo é a procura (pelo individuo que se torna causa) de sensações causadas exteriormente ao individuo que lhe permitam obter um efeito. O desejo por essa experiência ou objectos põe o individuo numa condição de ser um efeito.

Bibliografia

·    BERGHE, P E KEYES, Charles, 1984, “Introduction. Tourism and Re-created Ethnicity”, in Ann. Of tourism Research, Vol 11.

·    BURNS, Peter, 1999, An Introduction to Tourism & Anthropology, London and New York, Routledge.

·    BUTCHER, Jim, 2003, The Moralization of Tourism, Sun, Sand and … Saving the World, Londres e N. Iorque: Routledge.

·    COHEN, Erik, “A Phenomology of Tourist Experiences”, in The Sociology of Tourism, Ed. Yiorgos Apostolopoulos e outros, 1996, London: Routledge.

·    CRICK, Malcolm, 1989, “Representation of International Tourism in the Social Sciences: Sun, Sex, Sights, Savings, and Servility, in Ann. Rev. Anthropology, 18: 307-377.

·    ENZENSBERGER, Hans, 2001, A Theory of tourism.

·    GRABURN, Nelson [1978] 1989, “Tourism: The Sacred Journey” in Hosts and Guests - The Anthropology of Tourism, Philadelphia, University of Pennsylvania Press, Smith, V. Ed, Philadelphia, University of Pennsylvania Press.

·    MACCANNELL, Dean [1976] 1999, The Tourist: A New Theory of the Leisure Class, New York, Shocken Books.

·    NASH, Dennison, [1978] 1989, “Tourism as a Form of Imperialism” in Hosts and Guests - The Anthropology of Tourism, Philadelphia, University of Pennsylvania Press, Smith, V. Ed, Philadelphia, University of Pennsylvania Press.

·    SHARPLEY, Richard, 1994, Tourism, Tourists and Society, Cambridgeshire: ELM Publications.

·    SMITH, Valene L., 1989, Host and Guest. The Anthropology of Tourism, Philadelphia, Smith, V. Ed, University of Pennsylvania Press.

·    URRY, John, The tourist gaze, 2008, 2nd ed. (1991), Sage.


[1]  Entendemos que cada ser humano começa com o primeiro postulado “Ser” quando emerge de causa para o estado de ser.

[2]  Nas citações, todos os textos em língua estrangeira foram traduzidos para português.

[3]  Apesar deste ensaio não ser nem o momento nem ter a pretensão de abordar a forma de utilização do termo turismo nos diversos textos que tem sido produzidos a seu respeito (e que são do nosso conhecimento) impõe-se, pela nossa parte, tecer algumas considerações em forma de critica referente a essa utilização. Por exemplo, quando Enzensberger nos fala de turismo romano, ficamos preocupados. Poderá ter de alguma forma aspectos comparáveis, como tantas outras coisas ao longo da linha temporal, mas o conceito não encaixa. A alta sociedade romana no período do Império vive em diversos centros e efetua uma migração por razões biológicas, climatéricas e estratégia político militar. Os diversos centros tornavam-se importantes como formas de poder principalmente no final dum Império gasto e em vias de divisão. Este lazer romano estava mais associado às questões sócio politicas inerente das oligarquias romanas do que outra coisa. Sharpley (2008) também refere que embora o turismo de massas seja característico do final do século XX, ele sempre existiu de uma forma ou outra desde que existem sociedades. Habitualmente temos como referencia que antes ao Grand Tour, certas formas de deslocação e pretextos para o fazer puderam ser consideradas como turismo, bem como os seus protagonistas turistas, o certo é que os termos se tornam anacrónicos. Não podemos designar por turismo aquilo que ainda não era. A menos que adoptemos a convenção de utilizar um termo criado a posterior para designar ações ou situações anteriores à sua existência como conceito com termo atribuído. Os homens não o assumiam como turismo porque tanto termo como conceito não existia. Ou, pelo menos não o viam como tal. Haviam formas de lazer ligadas a outras motivações que não são aquelas pelas quais hoje atribuímos a definição de turismo. Talvez a designação de proto-turismo fosse mais adequada? Contudo, para fins deste ensaio consideraremos turismo e turista na totalidade da linha temporal que por outros autores foi definida e considerada.

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